quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A Sacada


De S.

Em uma das minhas aventuras, nem estava pensando em sexo, estava mais preocupada em sair de perto daquela gente chata, que acha que sabe tudo e o resto do mundo é ignorante. O que me interessa a produção artística da Lituânia? Qual a graça de passar a noite discutindo a genialidade de um cara que pinta borrões em Seychelles? Minha salvação naquele momento era olhar a bundinha perfeita do garçom que mantinha os copos dos pseudo-intelectuais sempre cheios, o sorrisinho discreto no rosto dele que me mostrou que ele tinha percebido meu tédio. 

Mas durava pouco, ele vinha, servia todos e sumia para fazer seu trabalho e eu continuava na minha câmara de tortura. As coisas que não fazemos para ajudar uma amiga. Atingi meu limite e precisava de ar, pedi licença, acho que ninguém percebeu, nem mesmo minha amiga que tinha os olhos vidrados no indie boy que a fez me arrastar para esse lugar, e fui para uma sacada do bar.

O lugar era bacana, estava vazio por ser meio da semana, nossa mesa era uma das poucas com clientes, tinha um casal no canto menos iluminado, três amigas conversando enquanto uma chorava sem parar, e um homem sentado sozinho no bar. A decoração vitoriana, tapetes para todos os lados, cadeiras forradas, iluminação indireta, quadros com molduras pesadas e imagens de um mundo antigo. 

Encontrei a saída para a sacada, agradecendo aos céus o hábito de fumar me dando a perfeita desculpa para fugir daquele lugar por alguns momentos. Não tinha iluminação na sacada, acho que pelo número pequeno de clientes no dia, o dono pensou que seria bom economizar energia, ninguém estava usando a área mesmo. 

Olhei rapidamente para os lados e fui para um canto mais isolado, as pessoas dentro do bar não podiam me ver dali e eu também não era incomodada pelo falatório dos “especialistas” da minha mesa. Acendi meu cigarro e me perguntei pela milésima vez como me deixei colocar naquela situação, podia estar em casa, olhando alguma coisa interessante na internet ou simplesmente dormindo. Levei um susto quando ouvi a voz dele: “Cansou da companhia?”. Virei para ver quem tinha falado, quando olhei a primeira vez, não tinha ninguém na sacada, mas agora, olhando para a direção de onde a voz veio consegui identificar uma sombra encostada na parede, mas nenhum outro detalhe, apenas que ele devia ser bem alto, casualmente apoiado contra a parede parecia ter um e oitenta e ombros bem largos.

Ainda meio idiota por causa do meu susto, perguntei: “O quê?”.“Cansou da companhia?” Ele repetiu e que voz! Grossa e firme. O tipo de voz de homem que não aceita não como resposta, isso se você tiver coragem ou sequer vontade de dizer não. Me fez sentir ainda mais idiota quando a minha resposta saiu com uma voz aguda demais, nervosa demais.

“É, não estou no clima para aquele papo hoje.” Nossa, que resposta idiota! E a risadinha no final? Patética. E eu não conseguia nem me convencer que não tinha motivo para estar nervosa. Só porque eu não conseguia ver o rosto dele e ele tinha uma voz perfeita. Fiquei esperando ele dizer alguma coisa, mas nada. 

Depois do que pareceu uma eternidade, mas possivelmente foram apenas alguns segundos, ele puxou um trago no cigarro dele e por um pequeno instante eu vi seu rosto iluminado pela brasa. Mas foi tão rápido. Apenas uma dica de traços fortes, nariz imponente e sobrancelhas grossas. Puff, escuro total novamente. Quando percebi que estava parada como um estátua encarando a sombra, virei rapidamente e voltei a observar o horizonte.

O bar era em um lugar alto, afastado da loucura noturna e naquele momento, tarde da noite com um homem misterioso atrás de mim, eu me senti completamente isolada do resto do mundo. Um pouco de apreensão fez um calafrio subir pela minha espinha, mas se for sincera também tinha uma certa excitação.

“Está com frio?” Que voz! Dessa vez eu não virei, mas me arrepiei toda novamente, talvez confirmando a suspeita do estranho. Apesar de estar usando apenas uma mini-saia e uma blusa fina, eu não estava com frio, mas eu não ia explicar para ele que estava excitada com os pensamentos cruzando minha mente. Então apenas confirmei com a cabeça e continuei encostada no parapeito olhando o mundo longe.

Dois braços apoiaram ao meu lado, me prendendo onde eu estava, duas mãos enormes no parapeito, uma de cada lado do meu corpo, braços cobertos por mangas pretas. Com o movimento os lados do casado dele me cobriam quase que completamente, ele encostou o corpo dele inteiro nas minhas costas e eu tive que corrigir minha estimativa, ele tinha no mínimo um e noventa e era muito maior do que eu tinha imaginado. Seu corpo me cobria completamente, mesmo que não estivéssemos em um canto isolado da sacada, qualquer um que olhasse do bar não me veria.

“Melhor assim?” Eu teria concordado se tivesse encontrado minha voz. Ele falou diretamente no meu ouvido e isso me fez tremer. Ele traçou a ponta no nariz pelo meu pescoço, até parar atrás da minha orelha. Um som de apreciação me deixou tremendo e sem checar eu tinha certeza que minha calcinha estava encharcada.

Ficamos parados nessa posição por momentos sem fim, eu queria dizer alguma coisa mas meu cérebro não funcionava, eu só conseguia absorver o cheiro dele, cheiro de homem, forte e amadeirado. Eu tentei imaginar o corpo que estava contra o meu, sentir com as minhas costas como ele era. Me mexi, imagino, porque ele pressionou mais, uma parede firme e quente me mantendo presa no lugar.

Ele girou o quadril e eu pelo tecido fino da minha saia eu senti que ele estava tão excitado quanto eu. Eu ficava pensando que nem sabia como o rosto dele era, mas isso era ignorado a cada respiração, cada banho intoxicante do cheiro dele.

Finalmente, ele beijou meu pescoço, uma das mãos deixou o parapeito e foi para minha cintura, me puxou mais firmemente contra a ereção dele. Pressionada para frente, eu tinha que confiar na barreira que me impedia de cair no abismo que estava na minha frente, a mão dele passeava pelo meu corpo, apalpando meus seios, apertando meus mamilos, e descendo. Ele apertou minha bunda enquanto subia minha saia. Eu não conseguia segurar os gemidinhos que saiam da minha boca. Com dedos maravilhosos, ele encontrou o triângulo entre as minhas pernas e nunca vou esquecer o som brutal que ele fez ao perceber que eu estava molhada e pronta para ele.

Mais rápido do que eu imaginava, ele tinha tirado minha calcinha do caminho e estava empurrado na minha entrada umas das ereções mais impressionantes que eu já senti. Eu não conseguia ficar parada, então com a outra mão, ele pegou meu cabelo e segurou firme, virando minha cabeça para trás, me fazendo ver as estrelas enquanto ele penetrava centímetro por agonizante centímetro. Quando ele finalmente havia se inserido por completo, ele ofegava no meu ouvido, e eu gemia, em êxtase. Ele parou por alguns segundos enquanto eu explorava a sensação daquele membro dentro de mim.

Até que ele começou a mover, como um pistão, forte, firme, quase violento. Eu ia gritar, ele percebeu. Soltou meu cabelo e tapou minha boca, sem perder o ritmo. Sua mão era grande o suficiente que ele cobria não só minha boca mas meu nariz, tornando respirar uma tarefa quase impossível. Eu fiquei tonta, meu corpo todo sensível, sentindo cada movimento do corpo dele contra o meu, quando eu achei que ia desmaiar, que não aguentaria mais, eu gozei. Gozei como nunca gozei em toda minha vida, gozei com o corpo inteiro. Vagamente, no meio do meu orgasmo, eu senti o dele, tremendo e vibrando contra mim.

Eu me apoiei contra o parapeito, meus joelhos sem firmeza alguma, senti as mãos dele arrumando minha roupa novamente. Eu mal conseguia mexer, ainda respirando com dificuldade. Ele beijou minha nuca e senti seu calor me deixar. Com a força que não sabia que eu tinha ainda, consegui virar a tempo de ver suas costas se afastando e ele sumir na porta para dentro do bar.

Até hoje não sei seu rosto ou seu nome, mas aquele estranho foi a melhor transa da minha vida.